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A Medicina na História dos Direitos LGBTQIA+

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Nesta segunda (28), celebra-se o dia do Orgulho LGBTQIA+. A data referencia a Revolta de Stonewall em 1969, nos Estados Unidos. O marco histórico é uma homenagem aos pioneiros da luta pelos direitos dessa população. Ao mesmo tempo, é uma motivação para a luta contra o preconceito e homofobia ao redor do mundo.

Atualmente, diversos estudos comprovam que a sexualidade e orientação de gênero não estão vinculadas a problemas genéticos, mentais ou espirituais. Mas para chegar a esse lugar, a sociedade contou com a ação de diversos grupos comprometidos com a promoção da igualdade. Dentre eles, as ciências médicas e da saúde, tiveram papel especial.

LGBTQIA+ na luta contra o Nazismo

Já no século XIX, cientistas de diversas áreas lutavam pelo fim da perseguição e criminalização da homossexualidade. Das grandes contribuições desse momento, destaca-se a de Magnus Hirschfeld (1868-1935). Médico, sexólogo, judeu e alemão, Hirschfeld foi uma das vozes mais eloquentes na luta pelos direitos dos homossexuais na Alemanha. E suas ideias entraram em choque direto com o Partido Nazista de Hitler, à época em plena ascensão no país.

Saiba tudo sobre Hirschfeld, o médico gay que enfrentou o nazismo, no YouTube da Sanar:

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Em 1896, Hirschfeld publicou “Safo e Sócrates ou como explicar o amor de homens e mulheres por pessoas do seu mesmo sexo“, um panfleto informativo que dava bases científicas para o tratamento da homossexualidade como um fenômeno natural. Gay, Hirschfeld dedicou sua vida à luta pela igualdade e cidadania dos LGBTs. Ele inaugurou espaços de estudo, acolhimento e orientação. Hirschfeld atendia homossexuais, lésbicas e transexuais. Além disso, promovia palestras e serviços educativos sobre igualdade de gênero e sexualidade.

Perseguido, Hirschfeld chegou a apanhar em praça pública, sofrer campanhas de difamação e teve seu centro destruído por militantes nazistas. Morreu exilado em Paris, com uma história marcada pela coragem e o pioneirismo que por anos inspiraram a comunidade científica.

Medicina leva LGBTQIA+ para os livros, cinemas e noticiários

Além da contribuição científica, a notoriedade de Hirschfeld o levou aos cinemas, aos livros, tribunais e noticiários. O médico foi chamado para supervisionar a cirurgia da artista Lili Elbe (1882-1931), uma das primeiras pessoas no mundo a submeter-se a uma cirurgia de redesignação sexual. Além de manchetes de vários jornais, a história de Lili inspirou o filme “A Garota Dinamarquesa”, de 2015.

Orgulho LGBTQIA+: A Garota Dinamarquesa.
Lançado em 2015, o filme “A Garota Dinamarquesa” foi nomeado a 4 categorias do Oscar ao retratar a história de Lili Elbe.

Mas ainda em vida, Hirschfeld teria uma experiência com cinema, ao tornar-se co-roteirista de “Diferente dos Outros” (1919). O filme é considerado a primeira produção pró-LGBT da História do Cinema. Junto da Ciência, a arte se tornaria um importante canal na luta pelos direitos das pessoas LGBTQIA+.

Ciência contra o preconceito e pela prevenção de ISTs

Na década de 1980, na contramão dos estudos de gênero e sexualidade, uma pandemia ajudou a promover o estigma da homofobia. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que, de 1981 ao ano 2000, a Aids fizera 12 milhões de vítimas em todo o mundo.

Enquanto se espalhava pelo mundo uma ideia que daria ao HIV o apelido de “vírus gay“, associando a infecção e os LGBTQIA+ à promiscuidade, o HIV chegava a matar mais de 1.200 crianças por dia. Mais do que estudos de prevenção, tratamento e cura da doença, foram fundamentais as pesquisas de cientistas da saúde. Gradualmente, elas quebraram a associação entre o vírus e a sexualidade. Até aqui, informação de qualidade, meios de proteção adequados e debate público e livre têm sido as mais eficientes formas de combate ao crescimento do HIV, da Aids e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

LGBTs de fora da Classificação Internacional de Doenças

Apesar da contribuição pioneira de figuras como Hirschfeld, a luta pró-LGBT exigiria muito mais dos pesquisadores e médicos. Os resultados não são rápidos, mas as novidades chegam a cada dia: em 17 de maio de 1990, a OMS anunciou que retirava a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID). Este passo sinalizou ao mundo todo, que a repressão médica ou terapias de “cura” de LGBTQIA+ não eram endossadas pela comunidade científica.

Só 9 anos depois o Brasil tomaria uma medida mais dura contra essas práticas. Em março de 1999, o nosso Conselho Federal de Psicologia (CFP) proibiu a prática das terapias de “cura gay” em todo o território nacional.

Apesar do avanço, somente em 2018 a OMS retiraria a transsexualidade da mesma lista.

A questão da genética, de uma vez por todas

Em 2019, um grande estudo coordenado pelo Centro de Psicologia e Evolução da Universidade de Queensland, na Austrália, reuniu a maior base de pessoas em uma pesquisa sobre genética e comportamento pessoal.

Foram coletados os dados de quase 500.000 indivíduos para investigar um dos maiores mitos sobre a homossexualidade: o de que componentes genéticos determinariam a sexualidade de uma pessoa.

O resultado provou que não é possível afirmar que exista essa relação. Não existiria, até onde conseguimos inferir, um “gene gay” ou “gene hétero” em toda a composição humana.

“É basicamente impossível predizer a atividade sexual ou a orientação de uma pessoa por sua genética”
Andrea Ganna, estatístico do Instituto Broad.

Homossexualismo ou Homossexualidade?

Há poucos anos, a população LGBTQIA+ (referente a lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queers, intersexuais, assexuais e mais) era conhecida como “comunidade GLS” – de gays, lésbicas e simpatizantes. Se ainda hoje termos como “homossexualismo” são comuns, já sabemos que eles atribuem uma carga que não condiz com o que se sabe sobre sexualidade. Aos poucos, os resultados dos estudos de médicos e pesquisadores ao redor do mundo se tornam práticas para a sociedade. Se atualmente 69 países ainda condenam a homossexualidade, por outro lado, a ciência avança em compreensão e interpretação do Universo LGBTQIA+.

É necessário acompanhar estudos e discussões, se atualizar constantemente, e refletir sobre como este conhecimento pode se tornar prática diária, cidadã e médica – aos colegas, pacientes e toda a sociedade.

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