Introdução
O termo Medicina de Estilo de Vida (MEV), do inglês “Lifestyle Medicine”, diz respeito a uma prática clínica que visa a promoção e manutenção de hábitos de vida saudáveis e consequente redução das doenças crônicas não transmissíveis, a exemplo doenças cardiovasculares, diabetes, doença pulmonar crônica, doenças inflamatórias intestinais e diferentes tipos de câncer.
Dentre várias definições se destaca aquela do Colégio Americano de Medicina de Estilo de Vida (American College of Lifestyle Medicine): ”É o uso terapêutico de intervenções de estilo de vida baseadas em evidências para tratar e prevenir doenças relacionadas ao estilo de vida em um cenário clínico. Ela capacita os indivíduos com o conhecimento e as habilidades de vida para fazerem mudanças de comportamento eficazes, que abordem as causas subjacentes da doença.”

MEV e seus impactos na saúde
Estima-se que até 80% das doenças cardíacas, acidentes vasculares encefálicos, diabetes tipo 2 e mais de um terço dos casos de câncer poderiam ser prevenidos se eliminados os quatro seguintes fatores de risco: uso de tabaco, inatividade física, alimentação não saudável e uso nocivo de álcool. De fato, cerca de 80% das mortes precoces são atribuídas ao tabagismo, alimentação inadequada e sedentarismo.
Comportamentos e estilo de vida não saudáveis estão entre os principais fatores de risco para morte precoce ou incapacidade crônica. Globalmente, as DNCTs são causa de 63% de todas as mortes. Em 2030, estima-se que as DNCTs possam representar 52 milhões de mortes anuais em todo o mundo.
Considerando os cinco hábitos saudáveis (não fumar, não estar acima do peso, manter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas e não consumir álcool em excesso), ao se adotar dois destes obtêm-se uma redução de 27% no risco de doenças cardíacas, enquanto que a adoção dos cinco determina uma redução de 87%.

A Retocolite Ulcerativa e a Doença de Crohn, que representam as Doenças inflamatórias intestinais (DII), assim como a Síndrome do Intestino Irritável (SII) são desordens crônicas, de etiologia indefinida, de curso imprevisível, com necessidade de tratamento a longo prazo e que afeta a vida dos portadores em diversos aspectos. Assim, vários estudos vem demonstrando a prevalência de transtornos que afetam a qualidade do sono e hábitos inadequados, como tabagismo, abuso de álcool, ansiedade, depressão, sedentarismo e uma alimentação desregulada que favorecem a exacerbação dos sintomas desagradáveis dessas patologias.
Outro ponto muito importante, é a relação desses mal hábitos como um fator de risco para o Câncer Colorretal. Já é sabido, por meio de inúmeros estudos disponibilizadas nas plataformas científicas, que a neoplasia colorretal é influenciada por fatores genéticos e ambientais, a exemplo do tabagismo, etilismo e obesidade. Logo, o risco ao câncer pode ser reduzido na eliminação dos agentes cancerígenos ou na minimização da exposição a eles.
Da mesma forma que as doenças orificiais, a exemplo da doença hemorroidária, e quadros de constipação são fortemente relacionadas com os hábitos exercidos por cada indivíduo. O esforço excessivo, o baixo consumo hídrico diariamente, uma dieta pobre em fibras, obesidade e tabagismo são alguns dos fatores de risco também relacionados as doenças orificiais e a constipação.
Conclusão
A mudança de estilo de vida com a adoção de hábitos saudáveis aumenta a expectativa de vida em 6-10 anos, a qualidade de vida, é capaz de reprogramar a expressão de genes relacionados ao desenvolvimento das DCNTs, incluindo alguns tipos de câncer, como o colorretal, além de evitar a exacerbação dos eventos desagradáveis das DIIs e da SII e ser um fator de proteção contra doenças orificiais e a constipação.
Portanto, a Medicina de Estilo de Vida aplicada à Coloproctologia se torna essencial ao estimular os pacientes a adotarem um estilo de vida saudável, promovendo longevidade e uma maior qualidade de vida e, assim, representando a base do real objetivo que a medicina tem a ofertar à população de uma modo geral: a promoção de saúde e o completo bem-estar.
Autor: Vinícius Sussuarana Rocha, discente do curso de Medicina.
Instagram: @vsussuaranar_
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
- https://www.lifestylemedicine.org/ACLM-Standards
- Lifestyle Medicine: An Emerging New Discipline. Kushner RF and Mechanick JI. US Endocrinology, 2015;11(1):36–40.
- Physician Competencies for Prescribing Lifestyle Medicine. Lianov L and Johnson M. JAMA. 2010;304(2):202-203.
- https://socgastro.org.br/novo/wp-content/uploads/2020/05/s41598-020-57460-6.pdf
- http://pdf.blucher.com.br.s3-sa-east-1.amazonaws.com/medicalproceedings/cnnscbo2014/13.pdf