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A importância de ser um médico atualizado | Colunistas

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Bom, não é novidade para ninguém que a Medicina cresce em
ritmo constante. Como pensar que, em 1928, Alexander Fleming descobriu de forma
meramente acidental a penicilina, hoje um dos antibióticos mais prescritos em
todo o mundo? Ou que, até 1920, antes da descoberta da insulina, o controle da
diabetes era feito com dieta rigorosa e extremamente restrita, levando
pacientes à plena desnutrição e invariavelmente à morte? Essas e outras
descobertas são consideradas recentes no campo médico e fazem parte da história
da nossa profissão.

É bastante distante
da nossa realidade atual pensar que o conhecimento médico era, até pouco tempo,
difundido basicamente por livros-texto. Já sabemos que o que escrevemos hoje,
amanhã, está desatualizado. Durante o processo de escrita de um livro-texto,
passamos por etapas de escrita, revisão, correção, edição, novas revisões, até
que ele seja publicado. Com isso, já temos alguns meses, quem dirá anos, até
sua disponibilidade para a literatura médica. Para se manter atualizado, os
livros-textos fazem dezenas de edições, às vezes ano após ano, para não ficarem
atrás dos grandes artigos publicados dia após dia. Percebem a diferença?

Como pensar na
Medicina sem o Harrison, Guyton, Goodman ou Robbins? Não dá, mas hoje temos o
poder de ter novas informações na palma de nossas mãos, e o melhor: a qualquer
instante. Temos o poder de alinhar o conhecimento médico já concretizado nas
nossas bíblias médicas com as atualizações que são publicadas nos grandes
portais, como o PubMed, UptoDate e ClinicalKey. Basta um clique e temos acesso
ao que há de mais recente nos diversos campos. Parece interessante, não é?

A questão é que hoje
somos bombardeados por informações importantes e outras nem tanto. Há artigos
dos mais diversos níveis de evidência e, por isso, devemos, além de buscar atualização
no nosso campo de atuação, escolher as ferramentas corretas para nosso desenvolvimento
profissional. É preciso fazer uma leitura crítica de um artigo científico e não
apenas encará-lo como uma verdade absoluta. Somos seres ativos, e não passivos,
do nosso aprendizado.

Durante a
graduação, somos estimulados a buscar ativamente a leitura de artigos
científicos sem, muitas vezes, aprendermos como usar o bom senso durante a
leitura. Questionamentos como “qual o grau de recomendação dessa revista?”,
“qual o tipo de estudo metodológico da pesquisa?”, “os resultados estão de
acordo com os objetivos do estudo?”, “qual o valor do p para o resultado encontrado?”, entre outros, devem fazer parte do
nosso cotidiano. Para ajudá-los, formulei um pequeno guia com as 5 principais
coisas que você deve buscar na escolha de um artigo científico:

1. ACESSIBILIDADE

Primeiro, você deve
definir as palavras-chave da pesquisa ao acessar a sua plataforma. De
preferência, procure em inglês, pois a maioria das grandes publicações estão
escritas nessa língua. Aparecerão vários artigos e você deve escolher pelo ano
de publicação (últimos três anos serão, em geral, os mais relevantes). Tente
encontrar aqueles com o endereço de revistas ou sites de maior credibilidade. Muitos
cobrarão uma taxa de acesso, mas você pode encontrar em plataformas que são
disponibilizadas em sua instituição de ensino, como Elsevir ou CAPEs. Se, mesmo
assim, não for possível, a maioria tem o e-mail do autor e você pode solicitar
pessoalmente o envio. No site Reseach Gate você encontra os dados da
maioria dos grandes pesquisadores do mundo e o e-mail destes.

2. CONHECIMENTO

É imposível
assimilar a quantidade de novos conhecimentos que são jogados na internet pelos
pesquisadores, porque, como sabemos, a maioria destes precisa escrever vários
durante o ano para se manter no ranking de suas universidades. O ideal é
escolher levando em consideração a revista e seu grau de impacto, os autores –
se você os conhecer – e o refinamento das palavras-chave da sua busca. A partir
desse ponto, selecione os 5 de maior relevância e, partindo destes, você
consegue, nas referências, filtrar outros artigos de impacto sobre o assunto.

3. CREDIBILIDADE

Já batemos nessa tecla, mas me permita ratificar. Escolha a revista certa e autores confiáveis. Aqui temos um problema: a maioria das grandes revistas são fechadas, mas não adianta adquirir conhecimento inútil. Olhe o fator de impacto da revista, se ela consta no pubmed ou medscape, e se tem uma boa classificação na plataforma da CAPEs. Os autores você pode pesquisar pelo nome quem são e a que instituição pertencem. Geralmente, busque o último autor, pois costuma ser o orientador-chefe da pesquisa. E, por último, cuidado com as publicações que tenham grant da indústria (suporte financeiro), pois podem conter viés de dados importantes.

4. REPRODUTIBILIDADE

Na maioria das vezes, você não quer fazer o mesmo estudo que está lendo, e sim apenas aprender com os resultados e conclusões. Porém um artigo pode te dar uma grande ideia a ser adaptada para a sua própria instituição. No estudo da metodologia, conseguimos perceber se é aceitável ou possível de adequar-se à sua realidade.

5. APLICABILIDADE

Aqui você pensa: “a partir desse conhecimento, eu vou mudar a minha conduta?”. Essa é uma grande pergunta. Estudos mostram que novas evidências podem demorar até 17 anos para serem realmente incorporadas na prática médica. Então, não se desespere se a assimilação for lenta. Mas, como diz o ditado: “cuidado ao ser o primeiro a usar, mas nunca seja o último a aplicar as novas diretrizes”.

A verdade é que temos pouco tempo. As demandas são inúmeras. Além de médicos ou futuros médicos, somos filhos, mães, pais, irmãos, esposos ou esposas; daí a importância de aproveitarmos bem o tempo destinado ao nosso aperfeiçoamento profissional. Conhecer o contexto no qual você está inserido, buscar qualificação, participar de congressos e seminários, e desenvolver sua inteligência emocional, não são apenas necessidades frente às grandes demandas do mercado de trabalho atual, mas também formas de responsabilidade social e afetiva com os nossos pacientes.

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