O que é a zona rural?
A zona rural é definida como o espaço geográfico que é constituído por campos, florestas e águas, em outras palavras, é uma região que não é urbanizada. Além também de poder abarcar as terras indígenas em sua conceituação. Nestas áreas, atividades como a agricultura, agropecuária, extrativismo são bastante enraizadas na população, e dificilmente iremos encontrar outros tipos de trabalho mais urbanos.
Mas além destas inúmeras definições, conceitos e atividades que abarcam a zona rural, um fator que é de extrema importância e que caracteriza melhor é a população rural.
A riqueza da população rural
De acordo com o Censo realizado em 2010, cerca de 15% da população brasileira está em zonas rurais, o que correspondia em torno de 30 milhões de indivíduos; entretanto, estima-se que em 1960, o país possuía cerca de 20%. Esta estatística nos mostra que ocorreu uma diminuição na quantidade (seja de distribuição, seja numericamente) desta população, um dado que pode se tornar bastante preocupante. Esta população que estamos falando está mais presente no nosso dia a dia do que podemos achar: além de ser ensinado sobre as populações tradicionais quilombolas, indígenas e ribeirinhas durante o ensino fundamental e médio, inseridas em um contexto histórico, a população rural vai bem além disso. Povos que vivem nas montanhas, no cerrado, no campo ou até mesmo em cidades mais do interior dos estados podem ser classificados também como população rural.
Em suma, todos os indivíduos, povos e grupos étnicos que vivem ou que cresceram em uma zona, que não a urbana, podem receber a denominação de rurais.
As condições socioeconômicas
Alguns fatores a respeito desta população são preocupantes, quando estudados mais a fundo e comparados com os mesmos só que da população urbana. Estes povos possuem limitações quando se fala sobre acesso à água, esgoto, taxa de analfabetismo e até mesmo relacionado a crianças fora da escola.
Apesar de estar em contato direto com a natureza, e, por consequência, com possíveis fontes de água, a população rural possui menor acesso à água potável, seja para consumo próprio, seja para higienização e lavagem de alimentos e utensílios. Apenas 32,8% das moradias estão ligados à rede de distribuição de água, evidenciando que boa parte dos indivíduos não possuem acesso ou uso de água em boas condições, o que pode acabar gerando sérios problemas para a sua saúde como um todo. Além também de que 67,7% captam água através de chafarizes ou poços, que podem ou não serem protegidos, isto é, o risco de ingerirem água contaminada é elevadíssimo, podendo contrair doenças e infecções que se tornam mais incidentes devido a este fator.
Há uma porcentagem baixa de acesso a esgoto: na Região Centro-Oeste, cerca de 88,2% possuem uma fossa rudimentar e na Região Nordeste, 5,4% desta população não possuem esgotamento sanitário. Infecções como zoonoses e parasitoses que se beneficiam de saneamento básico precário e de condições de higiene baixas, acabam encontrando um meio propício para se alocarem e infectar estas populações.
Outros fatores bastante preocupantes são relacionados ao ensino e nível educacional desta população: a taxa de analfabetismo chega a cerca de 25% e há aproximadamente 11,15% do total de crianças, fora da escola. Jovens e crianças que estão longe da escola, são jovens e crianças que não estão exercendo de todos os seus direitos, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente. Ao não possuir educação básica sobre saúde, se tornam mais propensos a adotarem atitudes e hábitos que são determinantes a provocarem doenças (não só em si mesmos, como também em seus próximos). As parasitoses são um exemplo claro disso: ao não realizar hábitos higiênicos básicos como o simples fato de lavar as mãos, crianças podem se tornar hospedeiros e vetores para inúmeros parasitos que estão presentes em solos contaminados.
A dura diferença entre o rural e o urbano
Vimos que a população rural está sujeito a inúmeros fatores que podem prejudicar sua saúde, fatores estes que são intrínsecos do meio que estão inseridos e que devem ser combatidos e prevenidos para que se possa alcançar um bem-estar de todos os indivíduos. Entretanto, somado a todos estes fatores, há a cruel diferença de acesso à saúde e seus equipamentos entre a população rural e a urbana.
Cerca da metade da população mundial vive em zonais rurais, entretanto apenas 24% dos médicos trabalham nestas zonas. Este dado se traduz numa possível dificuldade em estabelecer tratamentos em doenças e também na prevenção delas. Há um déficit de cobertura enorme na saúde rural: cerca de 2,5% maior do que na urbana.
As doenças crônicas, que acometem boa parte da população, e, em alguns casos, cursam com prognósticos difíceis que poderiam ser prevenidos nestas populações. O diabetes mellitus é dificilmente diagnosticado, nestas zonas. Há pouco acesso em ações simples que auxiliam no diagnóstico, como aferir a pressão arterial e realizar a glicemia capilar. Além também de haver poucas avaliações e tratamento para as complicações.
Referências
Gusso, Gustavo. Lopes, José Mauro Ceratti. Dias, Lêda Chaves. Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 2 v.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de Apoio à Gestão Participativa. Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta. 1a edição. Brasília – DF, 2013
Dantas, Marianny Nayara Paiva et al. Fatores associados ao acesso precário aos serviços de saúde no Brasil. Revista Brasileira de Epidemiologia [online]. v. 24, e210004. Disponível em:
Sanchez RM, Ciconelli RM. Conceitos de acesso à saúde. Rev Panam Salud Publica 2012; 31(3): 60-8.