A sexualidade engloba muito mais que apenas o ato sexual, prova disso é que as relações sexuais mudam a depender do momento histórico e região em que se vive. Vale ressaltar que a pratica sexual é a pratica corporal em si, que pode ser feita solitária ou em companhia e não precisa estar associada a fins reprodutivos. Foucault já defendia que “A identidade das pessoas estaria cada vez mais ligadas a sua sexualidade”. Uma vez que ela é definida através de valores, éticos, sociais, culturais, religiosos, biológicos e psicológicos. Todos esses fatores que constroem o ser humano o moldam em relação à sexualidade, o modo como alguém se vê e vê o mundo, reflete em como essa pessoa se relaciona com os outros. É reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, “O direito à saúde sexual, que é definida como um estado de bem-estar físico, emocional, mental e social” (OMS).

No Brasil
Existe um déficit no Brasil de profissionais com formação em sexologia e, consequentemente, de pessoas que abordem educação sexual, sendo esses fundamentais para a construção de uma geração com qualidade de vida sexual. Sexologia é uma área multidisciplinar em que o profissional deve ter conhecimento em todos os assuntos ligados a sexualidade e estar sempre em atualização, por ser um tema muito volátil e influenciado a fatores externos. A educação sexual no Brasil visa principalmente à área reprodutiva, deixando de lado o bem-estar e até mesmo as disfunções sexuais. A maioria dos brasileiros aprende sobre sexualidade em casa, sozinhos ou não aprendem e isso acaba gerando dúvidas, tabus, medos e traumas que são passados para as gerações futuras.
A Medicina de Família e Comunidade (MFC) na Atenção Primária à Saúde (APS) tem exercido o papel de promover a saúde sexual no atendimento individual ou familiar, visando prevenir e tratar possíveis disfunções, encaminhando para especialistas quando necessário, mas sempre respeitando as diferenças culturais. A abordagem comunitária que se da através de ações intersetoriais envolvendo escolas, associação de moradores, igrejas, e ONGs é o meio mais prático e eficaz de se levar informação a ponto de ser colocada em pratica, evitando assim que mitos e vulnerabilidades sejam passadas a diante. Mas ainda há muito que ser feito e trabalhado no país, visto que leis que tem como objetivo a diminuição das desigualdades relacionadas a crimes de gênero, como a Lei Maria da Penha criada em 2006, e homofobia que se tornou crime no Brasil apenas em 2019, são recentes e até hoje os números dessas violências continuam crescendo.
Medicina sexual
O avanço da Medicina Sexual começou apenas nos anos 2000 e ela visa o diagnóstico, tratamento e prevenção de distúrbios da função sexual. Atualmente a medicação ainda tem gerado debate sobre esse assunto, uma vez que passa pelo ramo psíquico, esses conhecimentos e críticas levaram ao aumento de pesquisas sobre a fisiologia sexual que tende a melhorar o quadro gradativamente. Outro ponto que motivou mais pesquisas sobre o tema foi a publicação em 2002 do “Modelo Circular da Resposta Sexual Feminina” pela canadense Rosemarie Basson, pois ela difere do “Ciclo de resposta sexual completo” descrito por Masters & Johnson, em 1970, que consta com resposta linear com 4 fases que consta com excitação, platô, orgasmo e resolução. A diferença entre essas respostas tirou a mulher do lugar de “disfuncionante” para normais, pois elas respondem ao estímulo sexual, incentivando mais pesquisas envolvendo neurociência, imagiologia e a epigenética.
Globalização da sexualidade
Com o aumento da tecnologia, foi possível o acesso a qualquer informação em qualquer idade e isso acarreta também na facilidade do “aprendizado” sobre estímulos sexuais, no entanto, sem nenhum preparo para recebe-los. Sabe-se que as pessoas que não vão reagir da mesma forma ao mesmo estimulo, assim, esse não preparo pode levar a questionamentos sobre gênero e valores pessoais, refletindo diretamente da qualidade de vida sexual do indivíduo podendo gerar inúmeras disfunções que vão refletir na vida pessoal.
Esse bombardeamento de informações tornou possível a mudança rápida e abrupta de liberdade na expressão sexual e o início da vida sexual ativa. Sendo assim, com a Medicina Sexual e a educação sexual é possível diminuir os danos, e mais importante prevenir que eles aconteçam, promovendo, assim a formação sexual de cada pessoa algo individual e satisfatório levando ao bem-estar sexual.
Autor, revisor e orientador
Autor: Lori Cardoso da Costa
Revisor: Eduarda Lays Lang
Orientadora: Amanda Almeida Barbosa
Co-orientador: Suellen Casotti Scoqui
Liga Acadêmica: Liga Acadêmica de Sexologia – Estácio de Sá, campus Cittá América – Instagram: @lisexcitta
O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
LARA, L.A.S. Sexualidade, saúde sexual e Medicina Sexual: panorama atual. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. 2009; 31(12):583-5
MARQUES, F.Z.C.; CHEDID, S.B.; EIZERIK, G.C. Resposta sexual humana. Revista de Ciências Médicas. 2008; 17(3-6):175-183
WITT, R.R; TELO, S.V. Saúde sexual e reprodutiva: competências da equipe na Atenção Primária à Saúde. Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.11 Rio de Janeiro Nov. 2018.