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A evidência sobre o uso do Canabidiol no tratamento da epilepsia refratária | Colunistas

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Introdução

Com a recente liberação concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) a um laboratório brasileiro para a produção de medicamentos à base de Cannabis em solo nacional, aumenta o interesse na busca pelas evidências científicas disponíveis sobre um dos principais deles, o Canabidiol (CBD).

Além do tratamento de depressão, ansiedade, dor crônica, dentre outros, uma das principais aplicações do CBD é justamente no manejo das epilepsias refratárias. Aqui separamos para você informações provenientes de estudos avaliando a eficácia do Canabidiol nessas condições.

A epilepsia de difícil controle

Trata-se dos quadros onde as crises epilépticas persistem mesmo após a utilização de pelo menos dois antiepilépticos bem indicados ao tipo de epilepsia paciente. Refratariedade ocorre em cerca de 30% dos pacientes com epilepsia, sendo especialmente comum em certas síndromes epilépticas, como a Síndrome de Dravet, configurando grandes desafios terapêuticos. Tais quadros motivam a busca por terapias alternativas aos fármacos antiepilépticos comuns.

Canabidiol no tratamento da epilepsia refratária

Uma das terapias alternativas pesquisadas foi a utilização do Canabidiol como adjuvante, que recebeu grande atenção e interesse após a divulgação de relatos de efetividade no tratamento de crianças com a Síndrome de Dravet, motivando a realização de estudos clínicos randomizados com a droga.

Em um estudo com crianças com a Síndrome de Dravet publicado em 2017 pelo New England Journal of Medicine (NEJM), comparando um grupo que recebeu a adição do Canabidiol a sua terapia padrão com outro grupo que recebeu a adição de placebo, foi observada uma redução considerável da frequência de crises convulsivas nos pacientes que receberam o CBD, gerando, em média, uma redução de quase 40% na frequência de crises em relação à frequência basal, contra uma redução de 14,9% no grupo que recebeu placebo. Também foi avaliada a impressão dos cuidadores das crianças envolvidas no estudo, por meio da escala Caregiver Global Impression of Change (CGIC), sendo que no grupo que recebeu Canabidiol houve impressão de melhora em cerca de 62% das crianças.

Outro estudo publicado no NEJM, em 2018, de caráter multicêntrico, duplo-cego e placebo-controlado, envolveu pacientes com a Síndrome de Lennox-Gastaut, uma encefalopatia epiléptica de difícil controle farmacológico. Os pacientes foram divididos em dois grupos, um deles recebendo placebo e os demais recebendo doses diferentes de Canabidiol: 10 mg/kg e 20 mg/kg. Como resultado, os pacientes que receberam 20 mg/kg tiveram uma redução superior a 40% da quantidade de crises em relação à frequência basal, e os que receberam 10 mg/kg tiveram uma redução de cerca de 37% na frequência. O grupo que recebeu placebo obteve uma redução de cerca de 20% na frequência de crises. A redução na quantidade de crises foi superior a 50% em quase 40% dos pacientes que receberam alguma dose de CBD.

Segurança do uso do Canabidiol

Ao contrário de algumas das outras moléculas obtidas da Cannabis sativa, como o THC (que apresenta efeitos adversos psicotrópicos e risco de dependência, por exemplo), o Canabidiol possui um bom perfil de segurança.

No estudo citado envolvendo pacientes com a Síndrome de Lennox-Gastaut, 89% dos efeitos adversos foram julgados como leves ou moderados, incluindo sonolência, náuseas, diminuição do apetite e vômitos. Um pequeno percentual apresentou eventos adversos de maior gravidade, com destaque para aumentos de marcadores de lesão hepática, como aspartato aminotransferase, alanina aminotransferase e γ-glutamiltransferase. No entanto, o estudo citado realizado com pacientes com a Síndrome de Dravet relatou que os aumentos de enzimas hepáticas ocorrem apenas nos pacientes que utilizavam concomitantemente o Valproato de Sódio, sugerindo eventual potencialização do efeito hepatotóximo do Valproato quando em uso de CBD.

É razoável realizar o acompanhamento da função hepática do paciente durante o tratamento com Canabidiol, e eventuais aumentos de transaminases podem motivar ajustes na dose ou mesmo, em caso de aumentos muito expressivos nesses marcadores, a retirada da medicação. Essa propedêutica é especialmente necessária se o paciente estiver em uso de outras medicações com eventual risco de lesão hepática.

Conclusões

Existe boa evidência disponível na literatura favorecendo a eficácia do Canabidiol no tratamento de síndromes epilépticas de difícil manejo. Os estudos citados mostram redução significativa na frequência de crises epilépticas em pacientes que utilizam o Canabidiol como fármaco adjuvante aos antiepilépticos comuns. Tal efeito tem potencial de incrementar significativamente a qualidade de vida dos pacientes portadores de epilepsia refratária, quadro desafiador para o médico, e mais ainda para o paciente e seus familiares.

Ainda que apresente um perfil de segurança aparentemente favorável, a evidência sugere a relevância da propedêutica laboratorial de avaliação da função hepática de pacientes em tratamento com CBD, já que um percentual dos pacientes apresenta elevação de enzimas hepáticas. Atenção especial deve ser aplicada aos que utilizam outros fármacos com potencial de provocar lesão de hepatócitos, como o Valproato de Sódio. Nesse caso, a associação pode ser mais perigosa, e deve-se considerar adequação de doses ou mesmo substituição de um dos fármacos.

Autor: João Vitor Borges Barbosa

Instagram: @joaovbbarbosa


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7604476/pdf/fneur-11-531939.pdf

https://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMoa1611618?articleTools=true

https://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMoa1714631?articleTools=true

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