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A corrida em busca de uma saída eficaz para a expoente resistência bacteriana | Colunistas

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Há aproximadamente dois anos atrás, pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, revelaram que quatro pacientes haviam contraído uma cepa incomum de Escherichia Coli, uma bactéria comumente encontrada nos alimentos consumidos diariamente. O cenário preocupante associado a essa descoberta é justamente pela comum existência desse microrganismo no meio ambiente e a relação do surgimento dessa nova cepa a impossibilidade de tratamento, tendo em vista que, se não há tratamento eficaz contra o bacilo gram-negativo a maioria dos portadores evolui a óbito em duas semanas.¹

A seleção natural proposta por Charles Darwin, mostra-se como evidência a favor da resistência bacteriana adquirida pelos microrganismos ao serem expostos a agentes quimioterápicos que tem por objetivo eliminá-los. Nesse sentido, os seres unicelulares garantem o desenvolvimento de mecanismos para se proteger do antibiótico que o sintetizou e a seletividade fica responsável de transmitir a “adaptação” adquirida aos descendentes.² Os pesquisadores de Nova Iorque, mostraram que a Columbia E. Coli desenvolveu resistência a um antibiótico após o outro. O bacilo identificado nos pacientes tinha uma mutação em um gene, MCR-1, que confere um atributo terrível: impermeabilidade à Polimixina E.¹

As polimixinas são uma classe potente de antibióticos empregados para o tratamento de bactérias multirresistentes, especialmente Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter baumannii e enterobactérias. O mecanismo de ação desse potente agente é baseado na interação do quimioterápico com a molécula de polissacarídeo da membrana externa das bactérias gram-negativas, retirando cálcio e magnésio, necessários para a estabilidade da molécula de polissacarídeo.³ Um estudo prospectivo randomizado multicêntrico realizados em 32 centros europeus comparou a eficácia e segurança da colistina, a experiência clínica com a droga antimicrobiana demonstrou achados contraditórios para o cenário, em alguns estudos a eficácia clínica da polimixina foi semelhante à dos antibióticos beta-lactâmicos.⁴

Em relatórios apontados a colistina foi considerada menos eficaz e mais tóxica em comparação aos antibióticos β-lactâmicos, outras três metanálises corroboram que a eficácia e segurança da colistina parece ser tão eficaz e segura quanto aos quimioterápicos que interferem na síntese do peptidoglicano da bactéria. Todavia, as metanálises apresentadas tem falhas associadas à qualidade dos estudos analisados, incluindo estudos observacionais e os resultados são combinados com os diversos tipos de administração da polimixina e.⁴

Bactérias resistentes a antibióticos são uma ameaça global à saúde pública e há variabilidade geográfica na prevalência de resistência a antibióticos.⁵ Concomitantemente, é válido destacar que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA relata que 2 milhões de pessoas por ano adoecem nos EUA por bactérias ou fungos resistentes aos principais antibióticos e que 23.000 morrem por causa deles.¹

A resistência ao antibiótico colistina e aos carbapenêmicos é uma preocupação particular, porque esses quimioterápicos são tratamentos de último recurso para gram-negativos altamente resistentes a antibióticos.⁵ A Organização Mundial de Saúde traz esse cenário preocupante em formato de projeções associando as atuais 700.000 mortes anuais mundiais associadas a doenças causadas por micróbios resistentes a medicamentos, com uma aproximação de 10 milhões de óbitos associadas a mesma causa em 2050.¹

Por fim, é sabido que o movimento global de pessoas de forma constante mostra-se preocupante para a aquisição e translocação geográfica de bactérias resistentes a antibióticos.⁵ Conforme apontado pela Universidade de Columbia, os cientistas dedicados aos estudos sobre resistência bacteriana estão utilizando conhecimento em genômica e outros campos associados a tecnologia para desenvolver formatos de terapia que permitam eliminar cepas resistentes e impedir que se espalhem. As alternativas se mostram promissoras, porém, é uníssona a opinião de que ainda há muito o que fazer para aperfeiçoar os tratamentos contra o crescimento das cepas multirresistentes.¹

Referências

1 Freedman DH. The Death of Antibiotics: We’re Running Out of Effective Drugs to Fight Off an Army of Superbugs. 2019. Acesso em: 02 maio 2021. Disponível em: https://www.newsweek.com/2019/05/31/death-antibiotics-running-out-effective-drugs-fight-superbug-army-1423712.html.

2 Tavares W. Antibióticos E Quimioterápicos Para O Clínico. 3. ed. São Paulo: Atheneu; 2014.

3 Anvisa. Antimicrobianos – Bases teóricas e uso clínico. Acesso em: 02 maio 2021. Disponível em: https://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/rede_rm/cursos/rm_controle/opas_web/modulo1/polimixinas.htm.

4 Cisneros JM, Rosso-Fernández CM, Roca-Oporto C, et al. Colistin versus meropenem in the empirical treatment of ventilator-associated pneumonia (Magic Bullet study): an investigator-driven, open-label, randomized, noninferiority controlled trial. Crit Care. 2019;23(1):383. Publicado em 28 de novembro de 2019. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31779711/

5 Mellon G , Turbett SE, Worby C, et al. Acquisition of Antibiotic-Resistant Bacteria by U.S. International Travelers. N Engl J Med. 2020;382;14. Publicado em 2 de abril de 2020. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMc1912464?articleTools=true.



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

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