O encontro do paciente com o profissional que irá assisti-lo pode ser marcado por ansiedade e inquietação de ambos os lados. Isso porque o paciente quer a solução imediata do seu problema, que muitas vezes já o aflige há algum tempo, e quem está do outro lado do balcão intenciona dar-lhe uma boa assistência.
Variáveis emocionais do Paciente e dos Profissionais
Ademais, existem outras variáveis a serem gerenciadas naquele momento: dificuldade de acesso aos serviços de saúde, muita gente para ser atendida em pouco tempo, ambiente físico inadequado, carga horária excessiva de trabalho por parte do profissional e todas as inovações tecnológicas, que brilham aos olhos de muitos e diversas vezes são mais valorizadas que o médico ou estudante de medicina que ali está. Em meio a tudo isso, como estabelecer um diálogo adequado para a realização de um bom atendimento – satisfatório para ambos?
Esse é um dos grandes desafios médicos da contemporaneidade!
Pratique a empatia!
O ponto de partida é colocar-se no lugar do outro. Você, médico ou graduando de medicina, escolheu o seu ofício. Dentre inúmeras opções do mercado de trabalho, vestir o jaleco e/ou o pijama cirúrgico diariamente e estar em instituições de saúde foi a sua alternativa (pelo menos é o que se imagina).
O paciente, por outro lado, não pediu para adoecer e estar ali. Apesar do julgamento que alguns fazem do estilo de vida de cada pessoa, o adoecimento físico e/ou mental não é, na grande maioria das vezes (sendo realmente redundante), uma escolha racional e deliberada.
Existem inúmeros patógenos de toda ordem aos quais estamos todos expostos diariamente e eles muitas vezes causam comorbidades, que acarretam muita dor (literal ou não) e sofrimento aos envolvidos.
Muitas imposições e cobranças sociais também podem ser gatilhos de doenças. Portanto, tenha empatia pelo seu paciente e tente compreendê-lo. A escuta atenta e desprovida de juízos de valor é fundamental.
Usando outros elementos para avaliar o paciente
Além disso, pode-se também “escutar” o paciente com outros órgãos dos sentidos. O olhar de quem está sentado do outro lado da mesa ou deitado em seu leito muitas vezes diz mais que qualquer palavra proferida, caro colega.
O mesmo pode ser dito sobre os gestos, as vestimentas e as cicatrizes no corpo ou na alma. Cada detalhe pode revelar algo que não foi dito com todas as letras. E o bom médico precisa saber “escutar” todas essas coisas, também.
Principalmente nos extremos da vida – infância e velhice –, porque nem sempre eles vão conseguir verbalizar adequadamente suas queixas e necessidades. Diante disso, são o seu olhar e a sua sensibilidade diante dos detalhes que irão fazer a diferença.
O paciente não é apenas um conjunto de sinais e sintomas! Ninguém pode ser resumido a um CID. A objetividade no atendimento médico é imprescindível para manter a qualidade assistencial, mas não se faz necessário manter aquele que está doente sob um lacre inviolável de indiferença e descaso.
Tratar a doença ou o paciente?
Tratando-se a doença, pode-se ganhar ou perder. Tratar o paciente é garantia de vitória sempre, porque, ainda que um desfecho desfavorável como o óbito ocorra, tudo o que era possível ser feito lhe foi proporcionado e a família terá o alívio de saber que se esforçaram pelo bem-estar do seu ente querido. E tudo isso começa pela arte de escutar.
Para concluir…
Saber ouvir o paciente de todas as formas possíveis e pensar sobre a melhor forma de auxiliá-lo durante o processo de escuta é essencial no exercício da Medicina. E, para isso, é necessário treinar exaustivamente! Olhos, ouvidos, mãos, estetoscópio, oxímetro, sonar… Tudo isso dever ser exercitado e utilizado bastante para nos auxiliar a “ouvir” de todas as formas possíveis os nossos pacientes.
Até a próxima!