O
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) é um serviço médico
brasileiro que tem como objetivo atender às urgências e emergências no Brasil
de forma ordenada, seja de natureza clínica, obstétrica, cirúrgica,
psiquiátrica ou qualquer outra que esteja levando sofrimento, sequelas ou a
morte do indivíduo.
O
serviço, que é o principal componente da Política Nacional de Atenção às
Urgências de 2003, preza pelo acolhimento, atenção qualificada e resolutiva,
estabilização e referência adequada dos pacientes dentro do Sistema único de
Saúde (SUS), visando a diminuição do número de óbitos, do tempo de internação e
das sequelas decorrentes do atendimento tardio.
Levando
em conta o nível de complexidade dos atendimentos realizados no SAMU, é
necessário ter um preparo especial para conseguir usufruir ao máximo o que o
serviço tem a oferecer de aprendizado, bem como para uma boa prática médica
tanto no internato (como estudante), quanto como médico.
1 – Realizar estágio
Atualmente, o rodízio no SAMU não consta como
obrigatório na grade curricular de todas as faculdades de medicina do país, e
isso é algo que pode prejudicar o estudante como futuro profissional caso ele
deseje trabalhar nesse serviço após se formar. Por isso, é importante tentar
conseguir algum estágio (principalmente no internato) onde o SAMU seja um campo
de atuação, para que o estudante entenda a rotina do serviço de uma forma mais
escalonada antes de ter responsabilidades como médico.
2 – Estudar Emergência
É preciso entender que para realizar um bom
trabalho no SAMU, o conhecimento teórico é imprescindível. Estudar as
principais condutas e fluxogramas de atendimento acerca de trauma, arritmias e
IAM é quase uma obrigação, sempre lembrando de estudar pelas bibliografias do
ATLS/ACLS para sistematiza o atendimento com toda a equipe dentro do padrão
mais utilizado atualmente.
Além disso, apesar do SAMU ser popularmente
ligado à imagem do trauma, se engana quem pensa que só precisa estar preparado
para atender vítimas de trauma. A rotina do serviço também conta com queixas de
convulsão, embriaguez, dispneia, quedas e intoxicação exógena, sem falar das
emergências pediátricas, que tem outro padrão, sendo fundamental o seu domínio
teórico-prático-terapêutico completo.
Também é importante estar em dia com a prática
de procedimentos e suas indicações como sutura, intubação orotraqueal,
paracentese e drenagem de tórax, muito comuns na prática do serviço.
3 – Entender como funciona o
sistema de regulação
No SAMU também existe o trabalho de regulação
dos pacientes e é muito importante entender como esse fluxo funciona e se
apropriar do sistema de regulação para que na prática as condutas sejam
estabelecidas da melhor forma possível.
Na regulação são dadas diversas orientações e se
estabelece por exemplo, o nível de gravidade do caso, qual tipo de ambulância
mandar para a cena e para qual serviço esse paciente será encaminhado (UPA ou
Hospital terciário, por exemplo). Além disso, a regulação acompanha o caso até
seu término, auxiliando as equipes que estão na cena. Compreender como funciona
esse sistema é de extrema importância para que o socorro às vítimas ocorra de
forma efetiva.
4 – Ter proatividade
É fato que a proatividade é uma qualidade que
todo médico precisa ter, para prestar a ajuda necessária o mais breve possível
com a melhor qualidade. No entanto essa virtude é ainda mais importante quando
se está no internato, tato para ter um bom relacionamento com a equipe do
serviço quanto para crescimento pessoal como futuro médico. Assim, é
fundamental demonstrar interesse em todas as oportunidades de ocorrência que
estiverem ao seu alcance, conhecer bem a equipe, se dispor a ajudar o
plantonista e estar preparado para discutir os casos.
5 – Exposição/Adversidades
O SAMU é um serviço que atende a ocorrências em
residências, locais de trabalho e vias públicas, sendo um dos princípios
fundamentais da estruturação do SAMU o atendimento 24 horas em qualquer lugar.
Assim, é necessário estar preparado para possíveis exposições e adversidades
que o local da ocorrência possa trazer.
Não é raro situações adversas como extremo
calor, locais apertados, cenas em que tenham pessoas ao redor gritando, ou
filmando, ou tirando fotos, o que pode atrapalhar o atendimento. Logo, é
crucial estar preparado para atender em qualquer lugar e focado na ocorrência
para desempenhar a sua função de forma efetiva.
6 – Realizar capacitações:
ATLS/ACLS/PHTLS
Como já foi exposto na dica de número 2, é muito
importante estudar pelas bibliografias do ATLS/ACLS para sistematizar o
atendimento com toda a equipe dentro do padrão mais utilizado atualmente. Além
disso, existem cursos para treinamento dos estudantes e profissionais de forma
a dar mais segurança na realização da RCP, na liderança de equipe, no manejo do
algoritmo de PCR e manejo de equipamentos, tornando o atendimento em emergência
mais eficaz.
7 – Trabalho em equipe
O SAMU é um serviço que para funcionar
corretamente são primordiais a comunicação efetiva e o trabalho em equipe, e
cabe ao estudante/profissional estar preparado para lidar com pessoas
diferentes, que tem pensamentos diferentes, equipes diferentes e entender que o
importante é prestar o melhor serviço possível.
Não podemos esquecer também que a equipe é
multiprofissional e cada componente tem um papel que deve ser respeitado no
atendimento. A convivência com muitas pessoas em um ambiente estressante é um
desafio que precisa ser encarado com muita paciência, sempre lembrando que o
bom trabalho em equipe irá facilitar o atendimento e aumentar as chances de
salvarmos vidas.
8 – Preparo emocional
Os cenários da rotina do SAMU são bastante
adversos e pra isso é fundamental um preparo emocional para lidar com cenas
muitas vezes desconfortáveis de se ver, ou cenas em que há muita pressão,
muitos leigos ao redor e outros fatores que possam atrapalhar ou deixar o
interno/médico mais nervoso para o atendimento.
Esse preparo emocional também tange situações em
que tenha muito sangue na cena, múltiplas vítimas, ou que ocorra em uma zona de
risco, bem como situações em que o paciente já tenha entrado em óbito antes da
chegada do serviço.
Agradecimentos especiais para a confecção do texto às médicas Laila Soares, Maria Luíza Dourado e Mila Kraychete.
Autor: Ian Kraychete
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.