“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”
Carl Jung
A frase acima denota toda a
carga de importância que reside no comportamento empático dos profissionais da
saúde, especialmente dos médicos. Quando alguém busca este profissional – seja
por qual motivo for – invariavelmente espera encontrar acalanto, receptividade,
entendimento sobre o que está se passando consigo e, mais que isso, almeja
encontrar um par de ouvidos atentos e dispostos a escutá-lo atenta e não apenas
superficialmente.
Assim,
alguns hábitos por parte do profissional médico podem tornar o momento do encontro
com o paciente amplamente rico e proveitoso, além de gerar empatia, fator que
aumenta o vínculo médico-paciente, a adesão ao tratamento, a facilidade de
corresponsabilização e o grau de satisfação por parte do paciente:
1) Receba o paciente com um
cumprimento, um sorriso e apresente-se
Ao
realizar estas três simples ações, o paciente se sentirá acolhido e será muito
mais fácil colher informações fidedignas. Para os estudantes, apresentar-se
como tal é de suma importância, pois assim o paciente entenderá que tudo o que
for conversado/discutido em consulta será reportado a um superior, fato que
poderá demandar algum tempo de espera. Dessa forma, ameniza-se a angústia do
paciente quanto ao término da consulta e também minimiza-se o grau de
insatisfação com o fato de ser atendido por um estudante.
2) Esteja em cada consulta pelo, para e com o paciente
Problemas
pessoais devem ser deixados para segundo plano durante o momento da consulta.
Deixar o celular no modo silencioso também é uma ótima pedida, pois assim o
paciente entenderá que, naquele momento, ele é tudo que importa a você e que
sua presença como profissional está sendo efetiva ali e não apenas “de corpo
presente”. Nos casos em que o paciente porventura expresse emoções como
tristeza, choro, ou preocupações, colocar-se à disposição com expressões como
“eu estou aqui para te ouvir”, “tudo o que for dito nesta sala permanecerá em
sigilo” ou pequenos gestos como oferecer lenços de papel ou um copo d’água auxiliam no processo da criação do
vínculo e aumentam a empatia.
3) Olhe nos olhos
Olhar
nos olhos talvez seja o item da linguagem corporal mais poderoso de todos. Ao
ouvir o relato do paciente, procure deixar a caneta de lado ou fazer apenas
anotações de palavras-chave para depois preocupar-se em redigir o relato por completo.
Desta forma, você se fará presente integralmente no momento do encontro com o
outro.
4) Escuta ativa
Mais
que apenas ouvir, escutar atentamente e com real interesse é um hábito
fundamental e imprescindível a qualquer médico/estudante que buscar ser
empático. Permitir que o paciente fale, com poucas interrupções, alivia, na
grande maioria das situações, a ansiedade advinda do momento da consulta e, ao
notar que está sendo compreendido e valorizado em seu relato, este trará
informações valiosas à consulta e ao entendimento de sua condição por parte do
profissional.
5) Atenção à linguagem
corporal
Nem
tudo que é dito é explicitamente falado. A interpretação da linguagem corporal no contexto da consulta e
da medicina como um todo ganha uma importância de proporções enormes, haja
visto que alguns atos, expressões faciais e posturas dão abertura ao médico/estudante
de medicina para investigar outras questões que não necessariamente aquelas que
estão sendo expostas verbalmente pelo paciente, permitindo que o contexto do
outro seja compreendido integralmente, auxiliando no processo do cuidado.
6) Entenda a pessoa como um todo
Entender que o outro, muito além de apenas alguém com alguma questão a ser resolvida, é também um ser humano com desejos, expectativas, angústias, medos e receios é fundamental no processo de empatia. Ao compreender isso, o profissional se torna apenas outra alma humana, ainda que domine e conheça todas as técnicas e teorias.
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