Para mandar bem na prática médica, é importante conhecer os ABCDEs mais importantes da medicina e o que fazer em cada um deles.
Você sabe quais são os ABCDEs mais importantes da medicina? Vem comigo aprender todos eles para nunca mais esquecer ou ter dúvidas.
ABCDEs da medicina: melanoma
Melanoma é um tumor maligno potencialmente letal, que tem origem nos melanócitos. Os homens são cerca de 1,5 vez mais propensos a desenvolver melanoma do que as mulheres.
O melanoma representa apenas 3% a 4% dos casos de câncer de pele no Brasil. A suspeita clínica fundamenta-se na regra do ABCDE, onde:
- Assimetria na forma.
- Bordas irregulares e denteadas.
- Cor variada (lesão com coloração não uniforme).
- Diâmetro maior que 0,6 cm.
- Evolução – Qualquer alteração que tenha ocorrido na lesão anterior.
Fonte: accamargo.org
ABCDE do Trauma
Através do ABCDE as vítimas de trauma são avaliadas, sendo definidas as prioridades do tratamento.
Essa estruturação leva em consideração a ordem em que os eventos traumáticos matam, com base nos efeitos das lesões na fisiologia do paciente.
Airway (via aérea) – Manutenção das vias aéreas com restrição de movimento da coluna cervical
Avaliar a permeabilidade das vias aéreas para descartar a presença de obstrução. Se a vítima é capaz de se comunicar verbalmente é pouco provável que uma obstrução de vias aéreas represente um risco imediato.
Também deve-se evitar a movimentação excessiva da coluna cervical utilizando um colar cervical, que auxilia na limitação da amplitude de movimento.
Breathing (respiração) – Respiração e ventilação
A adequada oxigenação e ventilação, podem ser inicialmente examinadas através da inspeção e palpação.
A ausculta pulmonar vai assegurar a presença de fluxo aéreo no tórax e a percussão torácica também pode identificar anormalidades.
Circulation (Circulação) – Circulação com controle da hemorragia
A hemorragia é a principal causa de mortes evitáveis após o trauma. Avaliar o nível de consciência, pulso e perfusão da pele produzem informações importantes sobre o estado hemodinâmico de um doente traumatizado.
Disability (Disfunção) – Avaliação do estado neurológico
A escala de coma de Glasgow é um método rápido e simples para avaliação do nível de consciência.
O tamanho das pupilas e a presença ou não do reflexo fotomotor, oferecem indícios de uma possível lesão cerebral.
Exposure (Exposição) – Exposição e controle ambiental
Durante a avaliação, o doente deve ser totalmente despido e posteriormente deve ser coberto com cobertores térmicos ou com um dispositivo de aquecimento externo para evitar que ele desenvolva hipotermia na aŕea do atendimento.
Fonte adaptada: wissenbox
ABCDEs da medicina: radiografia de Tórax
A radiografia de tórax é um exame de imagem extremamente solicitado no ambiente hospitalar, portanto os médicos, residentes e estudantes de medicina, necessitam aprender a interpretar alguns sinais básicos na radiografia de tórax.
A sistematização da avaliação, através do mnemônico ABCDE, visa contemplar a verificação de todas as estruturas presentes no tórax.
Airway (via aérea)
Avaliar a traqueia, brônquios principais direito e esquerdo e brônquios intermediários. Nessa etapa deve-se procurar por desvio na traquéia ou alteração no ângulo da carina.
Breathing (respiração)
Observar se os pulmões estão uniformemente expandidos e comparar os campos pulmonares, olhar em torno das margens de cada pulmão e nos seios costofrênicos e cardiofrênicos.
Circulação
Olhar o tamanho e forma do coração, grandes vasos, mediastino e os hilos pulmonares.
Diafragma
Verificar a altura das cúpulas diafragmáticas. Pesquisar a existência da presença de ar embaixo das hemicúpulas.
Esqueleto
Procurar por fraturas, especialmente das costelas ou da cintura escapular. Siga as margens de cada osso buscando a presença de interrupção na continuidade e compare a densidade dos ossos em ambos os lados.
Fonte: ezmedlearning
ABCDE das drogas que prolongam o intervalo QT
O intervalo QT é um parâmetro eletrocardiográfico que é obtido através da medida do início do complexo QRS até o final da onda T.
Representa a duração dos potenciais de ação de todas as células cardíacas durante um batimento cardíaco.
Os valores de normalidade variam com o sexo e a idade e o seu prolongamento predispõe a torsade de pointes, uma taquicardia ventricular polimórfica e podendo levar a morte súbita cardíaca.
Muitas medicações estão associadas ao prolongamento do intervalo QT e o mnemônico ABCDE pode auxiliar na identificação de classes de fármacos associados a este evento.
- AntiArrítmicos (EX.: Amiodarona).
- AntiBióticos (Ex.: Macrolídeos).
- AntipsiCótico (Ex.: Haloperidol).
- AntiDepressivos (EX.: Tricíclicos).
- AntiEméticos (Ex.: Ondansetrona).
Fonte: stringfixer.com/pt/QT_interval
5 – ABCDE do manejo da fibrilação atrial
A fibrilação atrial (FA) é uma taquiarritmia supraventricular caracterizada por uma ativação elétrica atrial descoordenada promovendo uma contração atrial ineficaz.
No mundo, a FA é a arritmia cardíaca sustentada mais comum em adultos. A prevalência é atualmente estimada em 2% a 3% da população mundial.
No eletrocardiograma encontramos intervalos RR irregulares (quando a condução atrioventricular não é prejudicada), ausência de ondas P repetidas e distintas e ativações atriais irregulares.
O diagnóstico requer a documentação do ritmo no eletrocardiograma demonstrando FA com duração mínima de pelo menos 30 segundos, ou ECG completo de 12 derivações.
A abordagem terapêutica leva em consideração a estabilidade hemodinâmica, a prevenção de fenômenos tromboembólicos e estratégias de controle da frequência ou restauração do ritmo. Com isso, o mnemônico ABCDE resume as terapêuticas empregadas:
Anticoagulantes
Para a prevenção de fenômenos tromboembólicos, pois a FA é a principal fonte emboligênica de origem cardíaca.
Betabloqueadores
São utilizados para o controle da frequência cardíaca devido ao bloqueio do tônus adrenérgico por meio da inibição competitiva da ligação das catecolaminas com os receptores beta adrenérgicos.
Cálcio bloqueadores
Os bloqueadores de canais de cálcio não diidropiridínicos (verapamil e diltiazem), são uma outra opção para o controle da frequência através do bloqueio dos canais de cálcio do tipo L do sistema de condução cardíaco, principalmente no nó atrioventricular (AV).
Digitálicos
A digoxina apesar de não ser considerada um agente de primeira linha é comumente empregada no controle da frequência na FA. Atua diretamente na membrana das células atriais, ventriculares e do sistema de condução, gerando um aumento do tônus vagal, reduzindo a automaticidade do nó sinusal e lentificando a condução pelo nó AV.
Eletrocardioversão
A cardioversão elétrica é aplicada objetivando a restauração do ritmo sinusal.
Fonte: sanarmed.com
Autor: José Edmilton Felix da Silva Junior
Instagram: @edmiltonfelixjr
O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto
Sugestões de leitura complementar
- Caso Rodrigo Mussi: como é o tratamento de traumatismo craniano e a cirurgia?
- Trauma Cranioencefálico (TCE): o que é, a anatomia do crânio e tipos de lesões
- ABCDE do Trauma
Referências
- https://accamargo.org.br/sites/default/files/2020-08/cartilha_melanoma.pdf
- AZULAY, R. et al. Dermatologia. 7º ed. Rio de Janeiro – RJ: Guanabara Koogan, 2017.
- Colégio Americano de Cirurgiões. Suporte Avançado de Vida no Trauma (ATLS), 10º Edição, 2018.
- CLARKE, C. Radiografia de tórax para residentes e estudantes de medicina. 1º ed. Rio de Janeiro – RJ: Thieme Revinter, 2012.
- MARTINS, J. et al. Medicamentos que podem induzir prolongamento do intervalo QT utilizados por idosos em domicílio. Revista de Ciências Farmacêuticas Básica Aplicada. v. 36, n. 2, p. 297-305, 2015. Disponível em: https://rcfba.fcfar.unesp.br/index.php/ojs/article/view/55/54
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. II Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. v. 106, n. 4, s. 2, abr. 2016. Disponível em: http://publicacoes.cardiol.br/2014/diretrizes/2016/02_II%20DIRETRIZ_FIBRILACAO_ATRIAL.pdf
- European Society of Cardiology. 2020 ESC Guidelines for the diagnosis and management of atrial fibrillation developed in collaboration with the European Association for Cardio-Thoracic Surgery (EACTS). European Heart Journal. v. 42, p. 373-498. 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32860505/