- Entendendo as reações adversas aos meios de contraste iodados
- Sugestões para facilitar a rotina: esquemas simplificados de tratamento
- Esquema 1
- Esquema 2
- Esquema 3
Entendendo as reações adversas aos meios de contraste iodados
Os contrastes iodados são fármacos comumente utilizados na rotina dos serviços de Radiologia. Sua utilização melhora a nitidez dos exames e auxilia o médico radiologista em seus diagnósticos.
Apesar de raras, as reações agudas aos meios de contraste iodados comumente utilizados, não iônicos e de baixa osmolalidade, podem ser muito graves. Estima-se que a ocorrência de reações adversas aos meios de contraste iodados seja em torno de 3% do total de exames radiológicos realizados, sendo a sua maioria do tipo leve e /ou moderada. Reações adversas graves são ainda mais raras, sendo fundamental o conhecimento e treinamento das equipes hospitalares para lidar com sua ocorrência.
A janela temporal para atuação pode ser curta. Equipes despreparadas podem perder tempo tentando entender a situação, ou perder tempo procurando medicações no carrinho de emergência.
Sugestões para facilitar a rotina: esquemas simplificados de tratamento
Baseado na raridade de ocorrência das reações adversas agudas aos meios de contraste iodados, e sendo de maneira geral, o radiologista médico que não lida com muitas emergências no seu dia a dia, procuramos encontrar soluções para o fato. A ausência de treino em emergência médica deve ser compensada pelo reconhecimento imediato do tipo de reação, sua gravidade e pela padronização das ações terapêuticas a serem executadas.
Seguem abaixo três esquemas simplificados de tratamento de reações adversas aos meios de contraste iodados. Não pretendemos esgotar o tema ou estabelecer padrões rígidos de conduta. São apenas sugestões para facilitar a rotina. Espero que aproveitem, e particularmente, sugerimos que você plastifique estes três esquemas e disponibilize no setor de radiologia do seu serviço. Nossos pacientes agradecem.
Esquema 1: paciente com desconforto, náusea
– Vigilância ativa (até 30 minutos) das alterações cutâneas.
– Checar estado de consciência, verbalização e tipo de respiração (auscultar sempre – presença de sibilos?).
– Frequência cardíaca (abaixo de 80 bpm?), checar pressão arterial e oximetria de pulso.
– Manter acesso venoso.

Esquema 2: Paciente pouco reativo, cansado (reação vaso vagal)
– Oxigênio 6 a 10 litros / minuto por máscara facial.
– Soro fisiológico 0,9 % em débito rápido.
– Elevação de membros a 60 graus.
| Sintomas | Tratamento |
| Hipoglicemia | Adulto: dextrose 50% EV: fazer ½ ampola (25 gramas) 2 minutos lento. Criança: dextrose 50 % EV: fazer D25 2,0 ml/kg EV. | |
| Hipotensão sem taquicardia | O² por máscara facial. Elevação dos membros inferiores a 60 graus. Adulto: soro fisiológico 0,9 % EV 2000 ml. Criança: soro fisiológico 0,9 % 10-20 ml/kg. | |
| Reação urticariforme com hipotensão Dificuldade respiratória progressiva Broncoespasmo severo Hipotensão com taquicardia (choque anafilático) | Adulto: se disponível adrenalina autoinjetável: aplicar na face lateral da coxa uma seringa por via IM ou SC. Repetir se necessário até três seringas com intervalos de 20 minutos. Dose IM: – (1: 1.000) fazer 0,3 a 0,5 mg. Adrenalina EV: dose de 1,0 a 3,0 ml (0,1 a 0,3 mg) da diluição 1: 10.000, sendo 1 ampola diluída com 9 ml da SF em uma seringa de 10 ml. Crianças com até 15 kg: adrenalina IM 0,15 mg ou 0,15 ml. Se até 30 kg: 0,3 ml IM. EV dose de 0,01 mg/kg/dose; dose usual de 0,1 mg (máximo de 1,0 ml ou 1,0 mg). | |
Esquema 3 Paciente agitado ou ansioso
– Medidas gerais: oxigênio por máscara 6 a 10 litros /minuto, acesso venoso central, verificar padrão respiratório, checar FC, PA e oximetria de pul
| Sintomas | Tratamento |
| Adulto: iniciar com salbutamol dois sprays. Criança: albuterol dois puffes até 180 mcg. Considerar adrenalina IM 0,01 mg/kg; dose máxima de 0,3 ml ou 0,3 mg. Se até 15 kg: 0,15 ml (ou 0,15 mg). Se até 30 kg: 0,3 ml (ou 0,3 mg). | |
| Broncoespasmo severo Hipotensão com taquicardia (reação anafilactóide) Edema das vias aéreas Edema laríngeo | Adulto: fazer adrenalina EV 1,0 ml (0,1 mg/ml) da solução 1: 10.000. Máximo 10 ml ou 1,0 mg. Criança: adrenalina EV 0,01 mg/kg, sendo a dose usual de 0,1 mg (máximo de 1,0 mg ou 1,0 ml). |
| Edema pulmonar | Adulto: hidrocortisona (solucortef): 1 ampola de 100 mg EV. Furosemida (Lasix): 2 ampolas de 20 mg/2 ml EV. Morfina: 1 ampola de 10 mg em 100 ml de soro, infusão lenta. Criança: Lasix EV 0,5 – 1,0 mg/kg por 2 minutos (máximo de 40 mg). |
| Urgência hipertensiva – PA maior que 180 x 110 mmHg + lesão de órgão alvo crônica | Objetivo: reduzir a PA em 1 a 2 horas. Valores de 160 x 110 mmHg nas próximas 2-6 horas e por fim 135 x 85 mmHg em 24 a 48 horas. Captopril 25 mg VO (+ 25 mg após 2 horas) e/ou Clonidina 150 mcg/h até no máximo 600 mc |
| Emergência hipertensiva (lesão órgão alvo aguda) Sintomas: dispneia, dor torácica, palpitações, edema, cefaleia, confusão mental, turvação visual, escotomas, dorsalgia intensa, náuseas e vômitos, oliligúria/anúria, déficit sensitivo ou motor agudo. | Adulto: Nitroprussiato venoso – Nipride: frasco 50 mg- diluir em 2 ml de solução de glicose a 5%, após diluir em 250 ml de soro glicosado a 5% e infundir em bomba de infusão contínua 0,2 – 0,5 mcg/kg/min (dose máxima de 10 mcg /kg/min). Atentar-se para fotossensibilidade. Nitroglicerina EV 5-100 mcg/min (não fazer em SCA- roubo de fluxo). Cuidado com metemoglobinemia. |
| Paciente grávida com suspeita de pré-eclâmpsia | hidralazina 5 mg EV, a cada 20 minutos, se necessário + sulfato de magnésio EV 4 g em bólus dose de ataque + MGSO4 1g EV 100 ml/BIC (dose de manutenção) + gluconato de cálcio a 10% 10 ml EV dose única (se sinais de intoxicação por magnésio: arreflexia, oligúria e bradicardia) + betametasona 12 mg IM a cada 24 horas por 48 horas + fenitoína 15-20 mg/kg EV (se sulfato de magnésio não controlar convulsões). |
| Dissecção aórtica aguda | esmolol EV 500 mcg/kg + morfina 2-5 mg EV + nitroprussiato de sódio 0,5 – 3 mcg/kg/min EV em BIC. |
| Cefaléia com relato de TCE (duração menor que 72 horas) | cetoprofeno 100 mg EV 12/12 h + dipirona 1 g EV em bólus + sumatriptana 6 mg SC dose única (se não houver melhora com cetoprofeno + dipirona após 1 hora) + metoclopramida 10 mg EV |
| Pseudocrise hipertensiva – crise de pânico | sertralina 50-200 mg/dia VO + clonazepam 0,5-2 mg VO 1 x ao dia de 12/12 h. |
| Se suspeita de abstinência | Se suspeita de abstinência: diazepam 10-20 mg VO 6/6 h + haloperidol 5 mg IM 1 vez ao dia + tiamina 100 mg EV uma vez ao dia por 7 a 15 dias. |
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
- Manual de contrastes SPR
- Yellowbook Sanar Emergências médicas