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16 fatos sobre a depressão | Colunistas

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1. Cerca de 50% dos diagnósticos de depressão são feitos na atenção básica (por médicos não-psiquiatras). Enquanto isso, 50% dos pacientes da atenção básica não recebem avaliação para depressão.

2. Por outro lado, 15 a 20% dos pacientes diagnosticados com depressão na atenção primária são falsos-positivos.

3. O termo “depressão” pode ser usado em vários sentidos. Pode ser um estado de humor (eu estou deprimido = eu estou triste), pode ser uma síndrome (um conjunto de sinais e sintomas parecidos que envolvem humor depressivo, e pode aparecer em diversas doenças diferentes) e pode ser um distúrbio psiquiátrio (geralmente chamamos de “depressão” o transtorno depressivo unipolar). Por isso, dizer que está deprimido porque o sorvete acabou não significa menosprezar os transtornos de humor.

4. Sintomas depressivos incluem, além do humor deprimido: retardo motor ou agitação, insônia ou hipersônia, perda ou ganho ponderal não intencional.

5. O transtorno bipolar geralmente se apresenta como depressão, já que estatisticamente os episódios depressivos são mais numerosos e duradouros do que os episódios de mania ou hipomania. Por isso, é importante que o médico afaste a possibilidade de episódios maníacos prévios quando um paciente se apresenta com síndrome depressiva.

6. Assim como ocorre na esquizofrenia, a tendência atual é considerar que o que chamamos de depressão na verdade é uma miríade de doenças com fisiopatogenia e clínica diversas, mas com o humor depressivo como sintoma marcante. Assim, o curso da depressão pode ser bem variável. Alguns pacientes apresentam sintomas moderados enquanto outros se apresentam catatônicos e profundamente incapacitados.

7. Cinco a 15% dos pacientes inicialmente diagnosticados com depressão maior acabam tendo o diagnóstico corrigido para algum transtorno do espectro esquizofreniforme.

8. Um episódio depressivo costuma demorar cerca de 20 semanas até a recuperação, principalmente em pacientes com múltiplos episódios recorrentes e em indivíduos não tratados. Em outras populações, um episódio depressivo pode redimir em até 8 semanas.

9. Episódios depressivos têm altas taxas de recorrência. Alguns estudos apontam até 42% de recorrência em 20 anos no transtorno depressivo maior. A depressão minor tem taxas de recorrência consideravelmente mais altas.

10. A mortalidade de pacientes depressivos é 50 a 100% maior do que a de indivíduos não depressivos. Em algumas populações, a depressão tem tanto impacto sobre a mortalidade quanto infartos do miocárdio e diabetes (!!!).

11. Um estudo com mais de 4,5MM de veteranos de guerra encontrou que os veteranos não depressivos morriam com 75,9 anos em média, enquanto os veteranos depressivos morriam com 71,1 anos.

12. Pacientes depressivos suicidam até 27 vezes mais do que a população geral.

13. Curiosamente, o risco de morte por homicídio para pacientes depressivos chega a ser 2,6 vezes maior do que em indivíduos não depressivos, mesmo controlando para fatores sociodemográficos e excluindo pacientes com histórico de uso de drogas. Pacientes depressivos também parecem cometer mais crimes violentos do que controles.

14. O risco de mortes acidentais (automobilísticas, quedas, envenenamento) é duas vezes maior em sujeitos depressivos do que na população geral.

15. Mulheres têm risco aproximadamente duas vezes maior de apresentar transtorno depressivo unipolar em relação a homens.

16. O traço de personalidade neuroticismo prediz maior incidência e maior gravidade de transtorno depressivo unipolar. Isso indica que o modelo Big Five ajuda a entender melhor o mundo, inclusive coisas sérias como transtornos de humor. Por outro lado, não há relação estabelecida entre signos astrológicos e nenhuma condição médica (relação etiológica; sintomas psicóticos podem tomar aspectos místicos diversos, dependendo do paciente e de seu contexto).

Autor: Nicolas Teixeira Cabral

Instagram: @nicolasteixeiracabral


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

Primary Care Physician Office Visits for Depression by Older Americans

Missed Opportunities for Depression Screening and Treatment in the United States

Clinical diagnosis of depression in primary care: a meta-analysis

Uptodate: Algorithm for the differential diagnosis of clinically significant and persistent depressed mood in adults

Uptodate: Bipolar disorder in adults: Assessment and diagnosis

Diagnostic stability in depressive disorder as according to ICD-10 in clinical practice

Stability of psychiatric diagnosis. Schizophrenia and affective disorders followed up over a 30- to 40-year period

Recovery from major depression. A 10-year prospective follow-up across multiple episodes

Recurrence of major depressive disorder and its predictors in the general population: results from the Netherlands Mental Health Survey and Incidence Study

Depression, cardiovascular disease, diabetes, and two-year mortality among older, primary-care patients

Mortality of patients with mood disorders: follow-up over 34-38 years

Early mortality and years of potential life lost among Veterans Affairs patients with depression

Mental disorders and vulnerability to homicidal death: Swedish nationwide cohort study

Depression and violence: a Swedish population study

A comprehensive nationwide study of the incidence rate and lifetime risk for treated mental disorders

The relationship between neuroticism, major depressive disorder and comorbid disorders in Chinese women

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